Por Olavo Almeida

Roteiro_Tour_America_LatinaEm novembro de 2017 fiz uma viagem incrível onde pilotei 20 mil KM sendo aproximadamente 15% em estradas de ripio/terra. Não foi a primeira nem a segunda vez que passei por estes lugares, mas cada viagem é sempre uma experiência diferente. Partindo de São Paulo, desci até Ushuaia cruzando o Uruguai e depois seguindo pela interminável Ruta 3. De Ushuaia subi até a Bolívia cruzando entre o Chile e a Argentina. No total foram 18 fronteiras! A moto utilizada foi uma GS 1200 Adventure ano 2012.
A descida até Ushuaia pela Ruta 3 já era conhecida, o vento marcou presença, mas não foi das piores experiências. Em outra expedição que fiz em 2010 eu simplesmente desisti de brigar com o vento patagônico e acampei atrás de um posto de gasolina pois estava impossível pilotar. Nesse caminho resolvi explorar a Peninsula Valdés, um lugar remoto e imperdível! Continuando a jornada até Ushuaia me espantou o avanço da pavimentação da Ruta 257 já na Isla del Fuego, atualmente temos menos de 40 km de rípio! Acho que até o final deste ano teremos o acesso à Ushuaia 100% pavimentado, o que me entristece bastante pois torna essa jornada menos desafiadora.

Na Isla del Fuego tive dias incríveis como nunca tive antes. Para não repetir o caminho (odeio ir e voltar pelo mesmo lugar, rss) deixei a Isla del Fuego por Porvenir, um povoado localizado no oeste da ilha. Até lá temos 100 km de rípio por trechos ainda remotos da ilha, vale a pena!
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De Punta Arenas, última cidade ao sul do Chile, segui em direção à Bolívia ora pela Argentina ora pelo Chile. A ideia era cruzar a Cordilheira dos Andes o máximo de vezes que eu pudesse. Nesse caminho passei por regiões e atrações que todos já conhecem como Torres del Paine, Glaciar Perito Moreno, Carretera Austral, Região dos Lagos Andinos, Mendoza, Salta, etc…. Mas conheci também lugares inóspitos, selvagens e desafiadores onde o homem parece que não deixou sua marca ainda. Sempre que eu avistava uma estrada saindo da ruta principal me jogava para ver onde daria. Muitas vezes levava à pequenos vilarejos ou a estradas secundárias menos movimentadas, mas algumas vezes me levava à lugares únicos e indescritíveis!
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IMG_1745 (2)Apesar de tanta beleza e tantas descobertas, outras vez fiquei desapontado com a evolução da pavimentação da Ruta 40. Essa lendária estrada Argentina é conhecida por cruzar lugares inóspitos que exige grande habilidade dos pilotos que decidem desbravá-la por ser totalmente de rípio. Ao longo dos anos ela vem sido pavimentada, mas fiquei assustado ao ver que de Punta Arenas até Mendoza temos apenas alguns pequenos trechos ainda rípio, mais de 95% está asfaltado. Em Mendoza, quando completei exatamente 1 mês de viagem tirei uns dias de “folga” e relaxei à base de boas carnes e ótimos vinhos.

A expedição seguiu rumo à Bolívia onde a ideia era explorar rotas alternativas do altiplano boliviano e marcar presença novamente no Salar de Uyuni. Depois de cruzar a cordilheira tantas vezes a altitude já não incomodava mais. Se a Argentina e o Chile são lugares incríveis para se pilotar, podemos dizer pilotar pela Bolívia é uma experiência única! Paisagens naturais indescritíveis e lugares que parecem ter parado no tempo. Recomendo a todos! O Salar de Uyuni não era novidade, mas como eu disse no começo da conversa, cada viagem proporciona uma experiência diferente. Nesta visita aproveitei que o salar ainda estava seco e pilotei até a Ilha Incahuasi, localizada no meio do salar e famosa pelos seus cactos gigantescos!

Deixando a Bolívia segui para o último destino dessa viagem: O Deserto do Atacama! Perdi a conta de quantas vezes já fui ao Atacama, mas é meu destino preferido no Chile. Estar lá é uma sensação estranha para mim, pois ao mesmo tempo que é um lugar aventureiro e exótico, sinto como se estivesse em casa. Nesta visita decidi aceitar o desafio de uma amiga que mora no Pueblo: reunimos uma turma de amigos e escalamos o vulcão Licancabur.
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Foi o maior desafio dessa grande aventura, pois a moto eu tiro de letra, mas encarar os 5.290 mts de altitude dessa montanha magnífica em um treeking que durou mais de 10 hrs foi uma experiência única! Fechei a viagem com chave de ouro passando 10 dias em San Pedro de Atacama revendo os amigos, parceiros e curtindo aquela região maravilhosa.
IMG_3240Depois de uma expedição como essa, o que eu mais queria era a minha casa, minha cama, meu banheiro e minha roupa limpa!  hehehe Saindo do Atacama, levei 3 dias para chegar em São Paulo.

 

Texto e Fotografia: Olavo Almeida