Olá leitores do Motorrad Experience e apaixonados pelo estilo de vida sobre duas rodas.

Como ponto de partida para contarmos a vocês qual é a nossa avaliação da Ducati Multistrada 1200 Enduro começaremos por algumas considerações, como:

– A escolha de quatro roteiros com características muito diferentes, possibilitando uma avaliação aprofundada e privilegiada, onde a parte Urbana na cidade de São Paulo, estradas sinuosas com serras, auto estradas e é claro os trechos Off (fora de estrada), afinal esse é sem dúvida o ambiente das verdadeiras Big Trails e neste caso submetemos a Multistrada Enduro a aproximadamente 130 km de diferentes formas de pisos não pavimentados dos 900 km rodados.- Poder contar com colaboradores com muita, pouca ou nenhuma experiência no segmento das Big Trails, pilotando ou na garupa, com o objetivo de somar opiniões importantes a essa avaliação.

– A utilização de uma motocicleta com baixíssima quilometragem (100 km) para que pudéssemos ter a oportunidade de experimentar e avaliar todo o processo de amaciamento do motor.

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– A utilização da motocicleta mantendo todas características e ajustes de fábrica, inclusive as pressões dos pneus para uso em asfalto (36 psi na dianteira e traseira sem garupa) mesmo no fora de estrada. Fazendo o uso apenas de três opções dos quatro modos de pilotagem (Urban, Touring e Enduro) de acordo com cada ambiente e deixando de utilizar o modo Sport, respeitando desta forma processo de amaciamento do motor. Experimentamos o máximo dos recursos de ajustes no sistema de suspensão, tanto para atender a carga (peso piloto, garupa e bagagem em seus momentos) utilizando as suas quatro opções. Porém ajustes mais específicos que levam em consideração o peso do piloto e forma de pilotagem, com foco na otimização da condução no fora de estrada, não tivemos tempo hábil para tanto. entretanto, podemos garantir que são muitas as combinações para o máximo de eficiência e esperamos em breve ter a oportunidade para tal.

– A minha experiência como usuário, piloto e instrutor de pilotagem nos últimos anos, bem como outras funções com o foco no segmento de Big Trail.

– Que as Big Trails normalmente possuem um peso acima de 200 kg e os seus projetistas têm uma responsabilidade enorme para torná-las eficientes ao máximo dentro da sua proposta de uso. Com isso: ciclística, resistência, conforto, segurança (principalmente para os iniciantes), autonomia, performance, design, praticidade nos seus ajustes físicos, mecânicos e muito mais os tecnológicos visam oferecer o máximo e por consequência obter o melhor resultado a favor de seus proprietários, e sem dúvida tem sido a principal estratégia dos fabricantes de motocicletas para o disputadíssimo mercado deste segmento.

Ou seja, o mercado está falando abertamente as suas necessidades e aos poucos revelando as suas tendências, e os fabricantes estão fazendo as suas escolhas.

Atenta ao mercado, a fábrica Italiana em 2015 apresentou a Ducati Multistrada 1200 Enduro no Salão de Milão e, a partir do final de 2016, trouxe para o Brasil o seu novo modelo para brigar em um disputadíssimo mercado onde a BMW vem se mantendo na liderança com os seus modelos baseados na R1200GS. Com certeza um Market Sare consolidado a ser batido.

No início havia uma dúvida muito grande dos especialistas quanto a possível evolução a partir do modelo lançado pelos italianos em 2010, uma motocicleta que chegou ao mercado na época já com a intenção de surpreender a todos com a possibilidade do seu multiuso, mas ainda com uma pegada esportiva. A Ducati trabalhou bastante na criação de um projeto singular, oferecendo tecnologias embarcadas como os quatro diferentes modos de pilotagem, além da suspensão de maior curso. Entretanto, com alguns itens como rodas de liga leve, aro 17’ na dianteira e ainda com 170 mm de curso nas duas suspensões ficou claro que ainda faltavam alguns detalhes para que o modelo pudesse superar com maestria todos os terrenos exigidos a uma Big Trail.

Mas com a chegada do novo modelo “Enduro” um grande divisor de águas foi criado pela fábrica italiana, passando para um universo que não fazia parte de sua história de sucesso nas pistas. Desta vez o objetivo era superar obstáculos desconhecidos até então pela gama de motocicletas da Ducati, o verdadeiro Off Road e, com isso, atender a uma forte tendência do mercado na direção do real “estilo de vida ao ar livre sobre duas rodas”. Com uma estratégia ambiciosa, conseguiu encher os olhos não só dos especialistas, mas de boa parte do público que vem experimentando a Multistrada 1200 Enduro, onde eu me encaixo perfeitamente como mais um dos surpreendidos positivamente.

Disponível para venda no Brasil desde o fim de 2016 em sua rede de concessionárias, o modelo aventureiro da Ducati conta com um tanque de 30 litros que, mesmo durante seu amaciamento proporcionou uma autonomia média de 480 km, para rodar em todo tipo de piso ou melhor em todos os caminhos de forma extremamente competente, incluindo pedaleiras mais largas e dentadas com ligeira inclinação para frente, rodas raiadas com aro de 19 polegadas na dianteira e 17 na traseira, suspensões com curso de 200 mm na frente e atrás (30 mm a mais do que o modelo Sport), nos presenteando com uma ciclística espetacular, principalmente na pilotagem em pé para durante os trechos Off Road. Além de um design que deixa claro a sua vocação.

Com um valor sugerido de R$ 93.900 a Multistrada Enduro 2018 é sem dúvida muito competitiva dentro do segmento das “maiores” Big Trails, principalmente quando colocamos na ponta do lápis o valor de R$ 14.400,00 referente as malas que acompanham o pacote e em seguida somarmos R$ 8.800,00 do kit de acessórios de proteção e faróis auxiliares* disponível para este modelo, chegamos a R$ 88,300,00. Mas se falarmos em custo beneficio a melhor opção é a edição limitada lançada este ano  com um pacote completo por R$ 97.900,00.

Tabela Seguro Enduro

ESPECIFICAÇÃO TÉCNICA


Motor

  • Tipo
    Testastretta com distribuição de válvulas variável, cilindros L-Twin, 4 válvulas por cilindro, Velas de ignição duplas, Desmodrômico, refrigerado a líquido
  • Cilindrada
    1198.4cc
  • Diâmetro x curso
    106×67.9mm
  • Taxa de compressão
    12.5:1
  • Potência
    160hp @ 9250rpm *
  • Torque
    128 Nm @ 7,500 rpm *
  • * Os valores de potência/torque indicados foram medidos por meio de uma bancada de teste estática de acordo com as normativas de homologação e coincidem com os dados detetados durante a homologação e apresentados no manual de circulação do veículo.
  • Injeção de combustível
    Sistema de injeção eletrônica de combustível Bosch, corpos de aceleração elípticos com Ride-by-Wire, diâmetro equivalente de 56 mm
  • Escapamento
    Silenciador em aço inoxidável com conversor catalítico e 2 sondas lambda, abafador simples de aço inoxidável

Transmissão

  • Caixa de câmbio
    6 velocidades
  • Relação primária
    Troca de marchas direta; Proporção 1.84:1
  • Relação
    1=38/14 2=30/17 3=27/20 4=24/22 5=23/24 6=22/25
  • Relação final
    Corrente; Pinhão frontal 15; Pinhão traseiro 43
  • Embreagem
    Embreagem de ação leve, úmida e multiplaca com controle hidráulico Ação de auto-servo na transmissão, ação deslizante em ultrapassagem

Chassi

  • Chassi
    Quatro Trellis de aço tubular
  • Suspensão dianteira
    Garfos Sachs 48 mm usd totalmente ajustáveis. Ajuste eletrônico de amortecimento de compressão e ressalto com o Ducati Skyhook Suspension (DSS)
  • Roda dianteira
    Roda com raios sem tubos em liga leve, 3″ X 19″
  • Pneu dianteiro
    Pirelli Scopion Trail II 120/70 R19 como opcional, Pirelli Scorpion Rally da mesma medida
  • Suspensão traseira
    Unidade Sachs totalmente ajustável. Ajuste eletrônico de amortecimento de compressão e ressalto. Ajuste eletrônico da pré-carga da mola com o Ducati Skyhook Suspension (DSS). Braço oscilante duplo em alumínio
  • Roda traseira
    Roda com raios sem tubos em liga leve, 4,50″ X 17″
  • Pneu traseiro
    Pirelli Scorpion Trail II 170/60 R19 como opcional, Pirelli Scorpion Rally da mesma medida
  • Curso da roda dianteira
    200 mm
  • Curso da roda traseira
    200 mm
  • Freio dianteiro
    2 discos semi-flutuantes de 320 mm, pinça Brembo Monobloc M50 montada radialmente, de 4 pistões, 2 pastilhas, com ABS de curvas como equipamento padrão
  • Freio traseiro
    A disco de 265 mm, calibre flutuante 2 pistões com ABS de curvas como equipamento padrão
  • Instrumentação
    Visor TFT colorido de 5″

Dimensões e peso

  • Peso seco
    225 kg
  • Peso em ordem de marcha
    254 kg

Para os modelos com refrigeração líquida, os dados de peso estão relacionados ao peso seco da moto sem bateria, lubrificantes e líquido de arrefecimento.

  • Altura do banco
    Não ajustável 870 mm (890 – 850 mm com assentos opcionais)
  • Distância entre eixos
    1594 mm
  • Ângulo do garfo
    25°
  • Trilha
    110 mm
  • Capacidade do tanque de combustível
    30 Litros
  • Número de assentos
    Banco duplo

Equipamentos

  • Equipamento padrão
    Modos de Pilotagem, Modos de Potência, Cruise control, ABS de curvas, DTC e DWC, RbW, Hands-Free, Farol totalmente em Led com função de indicador de curva, módulo Bluetooth para infotainment

Garantia

  • Garantia
    24 meses com quilometragem ilimitada
  • Intervalos de serviço de manutenção
    15.000 km
  • Verificação de folga das válvulas
    30.000 km

Emissões e consumo

  • Padrão
    Euro 4 (Europa)
  • Emissão de CO2 – Consumo
    5,6 l/100 km – CO2 132 g/km


Especificação técnica. Leia mais...

Falando nisso vamos a nossas avaliações.

Depois de uma bela recepção da equipe da Ducati Mooca e da assessora de imprensa da Ducati do Brasil Maristela Ramos e ainda uma excelente entrega da motocicleta pela Carla Toledo e equipe, recebemos a motocicleta praticamente 0 km, com suas belíssimas malas laterais que já fazem parte do pacote Enduro. Depois de 38 anos de experiências com diversas marcas, esta seria minha primeira vez pilotando uma Ducati.

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Desta forma partimos para o nosso primeiro contato de fato com a Enduro, iniciando o primeiro dos quatros módulos de avaliações pela parte urbana… Portanto modo de pilotagem “Urban”. 

Que grata surpresa! Uma motocicleta que nos primeiros metros já deixou claro que a leve e progressiva entrega do motor configurada com 100 HP  seria um diferencial na condução pelos próximos 24,3 Km de trânsito intenso até o ponto marcado para iniciarmos o modulo de avaliação seguinte, desta vez por estradas até a cidade de Socorro no interior Paulista.

Na parte urbana ainda com baixíssima quilometragem, a Enduro se mostrou extremamente equilibrada e precisa em baixa velocidade, dinâmica nas mudanças de direção, mesmo com o seu centro de gravidade mais alto. Comandos muito amigáveis, chamando a atenção para precisão do conjunto, aceleração e retomadas sem sustos ou mesmo engasgo, a embreagem surpreende com um ponto de fricção extremamente preciso e muito agradável, apesar de, mesmo hidráulica, se mostrar um pouco dura. Mas isso passou quase despercebido tamanha a facilidade e confiança que todo o conjunto entregou durante todo o percurso, por consequência me dando muita tranquilidade para me sentir quase um “entregador de pizza”, se não fosse as malas laterais. Este sim foi o maior desafio! Passar pelos corredores com a velocidade do trânsito usual dos motociclistas no dia a dia do trânsito intenso na cidade de São Paulo.

Na segunda parte no retorno para entrega da motocicleta foram 28,8 km, desta vez com aproximadamente 1.000 km rodados e eu já me sentindo piloto de fábrica, o transito estava demasiadamente intenso me obrigando por várias vezes evitar o risco de passar no corredor devido a utilização das malas laterais. Com isso, foi possível perceber uma temperatura um pouco mais alta sendo irradiada pelo motor e possivelmente através do sistema de arrefecimento, porém suportável. Claro que temos que levar em consideração que estava vestindo calça e bota que com certeza me davam uma condição mais favorável nesta questão.


Ponto alto: Ciclística, conforto e precisão do conjunto no controle da motocicleta.
Pontos a serem aprimorados: Retrovisores (muito duros para ajustes rápidos).


Primeiro módulo de avaliação. Leia mais...

Para o segundo modulo de avaliações pegamos a estrada e, nesta primeira parte saímos pela Rodovia Anhanguera sentido a Louveira – SP, o roteiro escolhido estrategicamente foi a “Rota da Bela Vista”, ligando São Paulo a cidade de Socorro, no interior do estado, passando por estradas mais sinuosas e por consequência muito técnicas, principalmente a parte de serras entre Itatiba a Lindoia. Este trecho ofereceu uma sequência de curvas de todas as formas, permitindo a utilização da Multistrada Enduro ao máximo em suas origens “Ducatianas”.

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Desta vez no modo de pilotagem “Touring”, este ajustado para uma entrega progressiva com a possibilidade de chegar até 160 HP, que é a sua potência máxima. Nesta configuração, os sistemas de ABS, controle de tração e suspensões são ajustados automaticamente de acordo o entendimento dos engenheiros Italianos. Mas podem ser ajustados de forma personalizada (um grande e importante diferencial, mas para os pilotos mais experientes). Desta forma os 178,2 km de São Paulo até Socorro pelo trajeto escolhido foi extremamente, prazerosos, seguros e porque não dizer muito divertidos.

Ao contrário da minha rápida integração com a motocicleta na parte urbana, demorei um pouco mais a entender melhor a dinâmica e tudo mais que eu sabia que poderia tirar dela, mas aos poucos a Enduro deixava claro que era uma questão de tempo para tirar de mim uma pontuação mais elevada. Pontos de frenagens e de entrada nas curvas foram aos poucos sendo aperfeiçoados, com confiança as curvas (que foram muitas) foram deliciosamente contornadas dentro das velocidades que no meu entendimento eram seguras e tecnicamente divertidas para o meu padrão de pilotagem. O motor enche com muita rapidez mesmo em “Touring”, mas como as machas são muito elásticas, a sensação de não ser necessário tantas trocas.

Devido a um centro de gravidade alto, percebi uma resposta um pouco mais lenta nas mudanças de cursos, portanto decidi experimentar adiantar um pouco mais as tomadas de curvas utilizando o contra esterço. “Bingo”! Considerando que ela permite uma forte inclinação e conta com uma ciclística e conjunto de suspensões muito ajustados e, portanto, extremamente favoráveis.

No momento das frenagens para redução mais rápidas de velocidade percebi que a suspensão dianteira não afundava tanto quanto o que acontece em outros conjuntos existentes no mercado normalmente. Com bengalas de 48 mm e comportamento muito firme, achei bem satisfatória, principalmente por saber que são muitas as possibilidades de ajustes no sentido de obter uma melhor performance. No caso da Enduro os seus diversos ajustes são eletrônicos, mas baseados em ajustes mecânicos de suspensões existentes  oferecidas no mercado em modelos  de fabricantes concorrentes.

Nesta fase da avaliação, começamos a ter uma certa dificuldade de se relacionar com o câmbio da motocicleta, onde por muitas vezes me tirou o grande tesão que estava sentido em pilotar. Quase sempre da 4ª mancha em diante e raramente entre a 2ª e 3ª havia um “neutro oculto”. Entretanto como havia solicitado na hora da entrega da motocicleta que subisse um pouco o pedal de cambio, criei a expectativa de resolver isto para o próximo modulo. Tentei por algumas vezes me adaptar a essa questão ao logo do caminho e com um certo êxito cheguei ao Café Arte ponto final da primeira parte da “Rota da Bela Vista”.

Depois de tomar “O Café” na companhia dos amigos que encontrei e tirar algumas fotos da Multistrada 1200 Enduro dentro da parte gourmet da Cafeteria, resolvi consultar “os universitários” quanto a questão dos possíveis pontos neutros entre as marchas.WhatsApp Image 2018-05-09 at 19.46.23 (2)Entre as primeiras respostas ouvi: “…basta ajustar a altura do pedal de cambio”, essa veio de um grande conhecedor da gama de motocicletas Ducati. De outro: “…essa é uma característica da Ducati, tem que ser firme nas passagens das marchas, depois você se condiciona…”.

Na segunda parte desta avaliação do segundo modulo rodamos 190 km retornando para São Paulo. Mas antes disso fizemos um novo ajuste na posição do pedal de marchas e rodamos mais 464 km realizando outras avaliações que vamos falar a seguir. Ambas mais técnicas incluindo trechos Off Road.

Foram 190 km um pouco diferentes do que havíamos feito na primeira parte desta avaliação, como também das outras quando rodamos em vias pavimentadas, consideradas de boa a excelente qualidade na maioria dos seus trechos. Nesta parte tivemos uma situação muito favorável para imprimirmos velocidades maiores e principalmente mudanças de curso nesta mesma tocada, curvas rápidas e grandes retas entre Itapira e nosso ponto de chegada no Rei da Pamonha no final da Rodovia dos Bandeirantes. A Ducati Enduro não decepcionou… Com aproximadamente 1000 km rodados, e já pronta para sua primeira revisão, ficou claro que o DNA Ducati, mesmo do modo de pilotagem “Touring”, esteve presente a todo tempo.

É claro que já estava bastante condicionado as excelentes características e diferencias da motocicleta, e as que considero que devam ser aprimoradas.

Infelizmente por algum motivo a roda dianteira desbalanceou, não permitindo uma melhor avaliação sobre possíveis vibrações em velocidades maiores de 160 Km/h, além disso sabemos que em nossas rodovias não são permitidas velocidades tão altas.


Ponto alto: Ciclística, conforto, aceleração com entregas progressivas e retomadas, frenagem, trabalho do conjunto de suspensões e curvas de alta e média.
Pontos a serem aprimorados: Precisão nos encaixes das machas, neste caso na hora da entrega técnica da motocicleta deixar claro para os novatos na marca quanto a possibilidade de ajustes do  pedal de câmbio para uma melhor ou total satisfação do cliente.


Desta vez no modo de pilotagem Touring. Leia mais...

No terceiro modulo de avaliações chegamos o que podemos chamar de “modulo Adventure”, escolhemos a “Rota das Trutas I” para contar para você como se comporta a Multistrada Enduro no que acreditamos ser o seu verdadeiro habitat, pelo menos no que acreditamos ser a proposta da motocicleta.

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Foram 344 Km de pura diversão, acompanhada de uma enorme surpresa positiva, destes, 30% Off Road chegando ao nível 3 de dificuldade técnica em algumas partes roteiro.

Para realização desta etapa ou modulo, convidamos dois amigos, Erik Carnevalli motociclista experiente e proprietário e tour leader da Alive Moto Tours, participando com a sua Ducati 1200 Enduro e Carlos Dalmarco, menos experiente com a sua BMW R1200GSA.

Nosso ponto de Encontro e partida você já sabe… Café Arte em Socorro – SP. Depois de um bom papo e combinações de como seria o nosso dia de “trabalho” acompanhado de excelentes cafés extraído de formas diferentes, fomos para o nosso primeiro trecho de On Road com o modo de pilotagem “Touring”. Pistas simples de mão dupla com muita variação, curvas de todo jeito, retas relativamente curtas, com e sem acostamento e visuais fantásticos de Socorro até o nosso primeiro trecho Off Road entre Pedra Bela – SP e Toledo – MG. Diversão total e principalmente muito prazer na pilotagem, mesmo tendo ainda um pouco de dificuldade para encaixar a machas a partir da 4ª apesar de fazer um novo ajuste no pedal de câmbio conforme me recomendado.DSCN6347 (2)

Fomos para o nosso primeiro trecho de terra, quase um asfalto, a minha ansiedade ou melhor curiosidade era enorme. Lembrando que como critério básico adotamos só mudança do modo de pilotagem, desta vez utilizando o “Enduro”. Pneus e quaisquer outros ajustes que normalmente faria para alcançar uma melhor eficiência no conjunto moto piloto foram deixados de lado. Ah! Foram retiradas as borrachas das pedaleiras para maior aderência dos solados das minhas botas. Aliás vamos começar por aqui a nossa avaliação sobre o uso da Enduro no fora de estrada.DSCN6364 (2)

Pedaleiras maiores tanto largura quanto no comprimento são extremamente importantes para uma pilotagem segura e confortável, principalmente na condução da motocicleta no fora de estrada, que é indicado que seja em pé sempre, então as pedaleiras passam a ser o principal ponto de apoio do piloto e porque que não dizer um importante e eficiente “leme” para uma pilotagem dinâmica, mais precisa e segura. Mais do que isso, foi projetado para ser o principal centro de gravidade para o conjunto motocicleta e piloto. Aí a Ducati foi muito mais a fundo, além das maiores pedaleiras originais existentes que tenho conhecimento, os engenheiros italianos pensaram na posição em pé que normalmente os pilotos profissionais se colocam, em posição de ataque com o tronco inclinado para frente, para isso a fábrica italiana inclinou as pedaleiras levemente para frente. Indescritível a facilidade de conduzir a Enduro em pé e com isso muita confiança seguida de muito prazer. Bingo!!!

Os primeiros trechos off road foram curtos, um pouco travado em alguns pontos, com variações nos tipos de pisos e diferentes aderências a todo momento, aclives e declives e como sempre com belíssimos visuais. Por consequência o meu nível de satisfação e surpresa positiva foi muito grande. Uma ciclística perfeita, um trabalho do conjunto de suspensões beirando a perfeição (não esquecendo que ainda cabem muitos ajustes nas mesmas, se necessários), o aro 19” na dianteira funcionou incrivelmente na superação dos primeiros e pequenos obstáculos, mesmo com a pressão do pneu com 36 PSI (pressão recomendada para uso on road, já para off podemos chegar até 23 psi), com certeza devido ao trabalho mais do que eficiente da suspensão dianteira, dando a sensação que tinha um aro 21” na motocicleta. Já na traseira não foi tão perfeita, mas satisfatório dentro do conjunto (lembrando que não foi feito nenhum ajuste diferente para o meu peso e meu tipo de pilotagem ou até mesmo para o tipo de terreno que estávamos andando. Mas os italianos pensarão em tudo isso). Bom, se não fosse a questão dos contínuos, mas poucos desencaixes nas trocas de marcha já mereceria um 10 com louvor.

Chegando na Fernão Dias, exatamente na região de Extrema, MG preferimos relaxar um pouco para nos preparar para um dos mais deliciosos trechos on road que conheço. Fomos sentindo a Joanópolis e continuando até Piracaia, retas curtas e médias intercalando com diversas sequencias de curvas de todas formas e jeitos, e desta vez voltando ao modo de pilotagem “Touring” e com a moto mais amaciada já pode chegar a giros mais altos e desfrutar de quase todo potencial que este modelo oferece. Frenagem precisas, aderências perfeitas, inclinações e contornos das curvas de média e alta com velocidades acima de 100 Km/h muito seguras sem necessidade de grandes compensações com o corpo (pendulo ou qualquer coisa parecida), acelerações muito lineares nos contornos das curvas e uma frenagem muito seguro quando necessário dentro da curva. Acelerações e retomadas muito eficientes instigantes a todo tempo. Já nas curvas de média baixa até a de muito baixa tive um pouco de dificuldade para imprimir uma forma mais agressiva ou melhor mais rápida como já acostumado com outros modelos, talvez pelo seu entre eixos um pouco maior ou mesmo pelo seu centro de gravidade mais alto. No percurso fui fazendo uma leitura melhor do comportamento da motocicleta e aos poucos entendendo suas características, aproveitando o trecho entre Piracaia e Igaratá sentido Bairro dos Piões o que não faltou foi curva deste jeito.  No final o meu sorriso juntamente com o do Erik, ficou difícil de esconder.DSCN6400 (2)

Chegando no Bairro dos Piões, parada para fotos e um pequeno briefing para darmos início ao segundo e maior trecho de off road com 90% do total. Modo de Pilotagem alterado para “Enduro”, nossa próxima parada, Restaurante Serra das Águas e São Francisco Xavier. Pensando da belíssima truta que iriamos comer o negocio era acelerar.DSCN6410 (2)

A partir daí não tive mais dúvida estava pilotando uma das melhores motocicletas Big Trail que já havia utilizado até então, chegando a me divertir muito a não ser quando a marcha não entrava, começou a me desconcentrar e até me desanimar principalmente por um quase tombo em função disso. Muito bem, momento de reflexão e decisão de ser feliz desfrutando do conjunto fantástico que eu estava “vestindo”. Logo após ao ponto de parada para almoço, a minha diversão foi surpreendentemente espetacular, andei com a motocicleta com os seus aproximadamente 260 Kg com duas malas laterais como se eu tivesse andando com a minha moto de enduro, sendo que a partir deste momento tínhamos um percurso até o asfalto na altura da cachoeira dos Pretos em Joanópolis muito mais técnico do que tudo que ficou para traz, e pode acreditar, todos as machas entraram no momento que eram necessárias, frenagens perfeitas, mudança de curso a todo momento deliciosamente divertido e perfeitos, aderências e trabalho de suspensões impecáveis, ao contrario do Erik, não tive a menor dificuldade em utilizar a embreagem com um dedo, muito fácil de se movimentar em cima da motocicleta… Caramba, só de relembrar para relatar isso a você o êxtase é total. Ou seja, a questão do câmbio se resolveu quando eu me condicionei a sua característica. Foi de lavar a alma e pode comemorar muito depois com o Erik e com o Dalmarco.DSCN6443 (2)

De volta para o asfalto, com modo de pilotagem compatível fomos rumo ao centro de Joanópolis, SP para verificar calibragens dos pneus e um possível abastecimento na minha motocicleta uma vez que foi o único que não havia feito isso em nossa última parada em Piracaia. Tudo perfeito para mais 92,3 Km de percurso on road até o nosso ponto de partida em Socorro, SP.

Como já havia anoitecido pude testar o conjunto de faróis da Ducati Enduro, simplesmente fantástico, neste ponto, a noite, com uma leve chuva e depois de um dia de muito “trabalho”, os faróis deste modelo fizeram toda a diferença no meu retorno para casa.


Ponto alto: Ciclística perfeita para uma pilotagem em pé, aceleração com entregas progressivas e retomadas na parte on road e entregas precisas no off road, frenagem no on e no off road, trabalho do conjunto de suspensões e as e curvas de alta e média.

Pontos a serem aprimorados: Fixação dos retrovisores; Precisão nos encaixes das machas tanto na pilotagem sentado no on road, quanto em pé no off road (neste caso é importante frisar que depois de uma integração maior com a motocicleta e mais condicionado a essa possível característica da motocicleta,  esse ponto passa despercebido. Não esquecendo de possíveis ajustes na altura do pedal de câmbio caso necessário é claro);

Especificamente para uma utilização em ambientes off road de qualquer forma, alguns pontos expostos como: bomba d’agua e mangueiras do sistema de arrefecimento, radiadores de água e óleo, partes plásticas nas duas laterais do motor e piscas instalados nos protetores de mão.


Soluções já oferecida pela Ducati e disponível na rede: protetores laterais em barras, protetores dos radiadores de água e óleo, protetor do disco de freio traseiro e protetor de corrente/corroa*.


Foram 344 Km de pura diversão, acompanhada de uma enorme surpresa positiva, off road chegando ao nível 3 de dificuldade técnica em algumas parte do roteiro. Leia mais...
kit de acessórios de proteção e faróis auxiliares

*kit de acessórios de proteção e faróis auxiliares

Impressões do Erik  sobre a Ducati Multistrada 1200 Enduro como proprietário.

Sendo o máximo imparcial devido a nenhuma ligação com qualquer marca, declara que é proprietário de motocicletas das marcas BMW, KTM E Ducati.

Comenta que sua Ducati  Multistrada 1200 Enduro 2017 o surpreendeu desde o início.DSCN6367 (2)

“Faróis excepcionais, suspensão eletrônica com ajuste minucioso em cada conjunto (dianteiro e traseiro) independentemente do modo de pilotagem escolhido ou tipo de pré-carga da mola. Consumo excelente e desempenho fabuloso no asfalto e terra.

Quanto ao conforto um capítulo à parte. Excelente ciclística e manobrabilidade. No trânsito dócil e fácil de pilotar.

As malas laterais inclusas são impecáveis e com volume assombroso. Não há necessidade de top case.

Desempenho na terra… tive o prazer de pilotar no seco e no molhado. Muito molhado. Sempre com os pneus originais.

A moto surpreende. Desempenho previsível e altamente seguro. Mesmo na lama o controle de tração fez coisas inimagináveis e permitiu uma pilotagem segura e divertida.

No seco dá para pilotar mais próximo de como se faz com uma moto off road do que com uma moto on road.

Se há uma única crítica no meu ponto de vista é o “peso” do manete de embreagem. Dificilmente consegui aciona-lo com um dedo como faço em outras marcas estranhamente com equipamentos da Brembo também. Porem dois dedos resolvem


Pros! Malas inclusas, afinamento das suspensões independente, potência e preço que pessoalmente achei atrativo próximo às concorrentes, serviço amigável e eficaz desde a venda até a primeira revisão.

Contra. Peso do manete de embreagem, cambio um pouco diferente, requer um certo costume.

Definitivamente eu indicaria para um amigo.”


Impressões do Erik sobre a Multistrada 1200 Enduro como proprietário. Leia mais...

Para o 4º modulo de avaliações contamos com a participação de uma garupa e escolhemos o roteiro “Rota Café Aventura” que com os seus aproximados 113 Km de estradas vicinais extremamente bucólicos, ligando importantes atrativos da região, tanto gastronômicos quanto de lazer e aventuras, sendo que os trechos de off road, com apenas 25 km, com direito a subidas e descidas com pisos entre terra batida, areia e cascalho foram fundamentais para fechar as nossas conclusões da Ducati Multistrada 1200 Enduro seguindo os critérios que adotamos.Ava_DEnduro_3º (003)

No dia seguinte o Motorrad Experience ouviu a opinião da Liliana Peixoto de como foi o rolê on e off nesta motocicleta. Com uma resposta simples e objetiva ela deu o seu depoimento.

“Andar na garupa da Ducati foi bem bacana e tranquilo, tanto nas estradas asfaltadas quanto nas de terra. No asfalto não percebi as curvas com a inclinação da moto, apenas as pequenas reduzidas quando necessário. Confortável também no piso de terra mesmo com pedrinhas, pequenas depressões e declive. Quando a descida era mais acentuada, o corpo tende a escorregar um pouco, com as pequenas trepidações devido ao solo irregular e tende a ir de encontro com as costas do piloto. Mas me sentindo muito segura e confortável. O truque é pressionar os joelhos no corpo do piloto ou se segurar nas alças traseiras da garupa. A viagem toda foi muito prazerosa, foi só curtir o momento e admirar toda a paisagem maravilhosa por onde rodamos!” Comentou a Liliana.

A escolha deste roteiro nos deu  condições favoráveis e necessárias para uma avaliação consistente com a participação de uma garupa, considerando que o comportamento do conjunto muda um pouco ou muito dependendo das experiencias de ambos (piloto e garupa). E neste caso estrategicamente a garupa escolhida possuía pouca experiência.20180513_164348

A Enduro não decepcionou, utilizando os recursos tecnológicos disponíveis, ajustei o conjunto de suspensões para atender a carga piloto + garupa (2 capacetes) e ainda o modo de pilotagem (Touring no On Road ou Enduro no Off Road), estes suficientes para uma eficiência surpreendentemente muito satisfatória. Mas se desta forma não fosse o suficiente para tanto, ainda nos restavam muita margem para ajustes e o mais interessante, no caso das suspensões, a motocicleta oferece também ajustes independentes.


Ponto alto: Ciclística perfeita, aceleração com entregas progressivas e retomadas na parte on road e entregas precisas no off road, frenagem no on e no off road com garupa com a mesma eficiência, trabalho do conjunto de suspensões e curvas de alta e média, tração em pisos arenosos e cascalhado.

Pontos a serem aprimorados: Precisão nos encaixes das marchas tanto na pilotagem sentado no on road e no off road (neste caso é importante frisar que depois de uma integração maior com a motocicleta e mais condicionado a essa possível característica da motocicleta,  esse ponto passa despercebido. Não esquecendo de possíveis ajustes na altura do pedal de câmbio caso necessário é claro); fixação dos retrovisores;

Especificamente para uma utilização em ambientes off road de qualquer forma, alguns pontos expostos como: bomba d’agua e mangueiras do sistema de arrefecimento, radiadores de água e óleo, partes plásticas nas duas laterais do motor e piscas instalados nos protetores de mão.


Soluções já oferecida pela Ducati e disponível na rede: protetores laterais em barras, protetores dos radiadores de água e óleo, protetor do disco de freio traseiro e protetor de corrente/corroa*.

No dia seguinte o Motorrad Experience ouviu a opinião da Liliana Peixoto de como foi o rolê on e off nesta motocicleta. Leia mais...

Antes de terminar esta matéria gostaríamos de fazer um agradecimento especial ao André Hawle  gerente da Ducati Campinas que com muita competência esteve a disposição a todo tempo para nos suprir com o máximo de informações técnicas e históricas da fábrica Italiana, muito valiosas para o resultado final desta.

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Foi uma surpresa fantástica e muito prazeroso pilotar uma Ducati Multistrada 1200 Enduro no asfalto (on road) e muito mais ainda no fora de estrada (off road), tenho certeza que o mercado ganha muito tendo opções de verdadeiras Big Trails.  Eu teria uma na minha garagem com certeza!

Até a próxima,

Luciano Peixoto
Editor